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VIDA CONJUGAL – Eternos Namorados

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Casamento é muito bom, é o encontro de duas pessoas que se amam, se identificam e resolvem se unir para viverem juntas, construírem família e desfrutarem de um relacionamento por toda a vida. Porém, a reclamação recorrente entre os casados é sobre o fim do romantismo, há uma saudade dos tempos de namoro que se torna sentimento comum entre a maioria dos casados.
Quando um namoro se inicia os corações dos namorados experimentam alegrias e excitações intensas. As emoções vêm em “ondas’ como num mar agitado. O rapaz recebe tanta atenção e carinho que seus pensamentos passam a girar em torno do novo amor, sua motivação é buscar a cada momento uma maneira de fazer sua querida namorada feliz. A moça também descobre que é muito importante para alguém. Fica mais manhosa, dengosa e também vive procurando um jeito de fazer seu amado feliz. Ah como é bom o tempo de namoro!!
No dia do casamento os votos são de que sejam “eternos namorados”, casam-se com esta expectativa, a de perpetuar os mimos, chamegos, cuidados mútuos, etc. Toda pessoa casada levou para o casamento a esperança de continuar desfrutando os prazeres dos tempos de namoro.
Depois de um tempo de casados, os cônjuges começam a experimentar o desaparecimento daqueles momentos encantadores, as palavras carinhosas começam a dar lugar a termos que agridem, tanto pela entonação quanto pelo volume da voz. Os esforços para agradar o outro começam a se perder entre reclamações, acusações, silêncios, lágrimas e lástimas. Dizem que no início do casamento o rapaz diz para sua esposa: - Meu bem, a estrada que vamos trilhar é cheia de pedras, mas não se preocupe, pois vou à sua frente catando uma por uma para que você não machuque seu lindo pezinho. Passados alguns anos, a fala se modifica para: - Meu bem, a estrada que vamos trilhar é cheia de pedras, portanto, tome cuidado para não machucar os pés. Mais alguns anos e a fala modifica-se mais ainda: - Mulher eu te avisei que a estrada era cheia de pedras, você machucou os pés de teimosa que é. Não me encha a paciência com suas reclamações, pois eu te avisei.
Muita gente casa com a expectativa de levar para o casamento todo o encanto e prazer do bom namoro. Pensam em estender durante a vida as emoções experimentadas no período do início do relacionamento. Porém depois que se casam, muitos experimentam uma triste surpresa, o encantamento se desfaz, os castelos se desmancham, a carruagem vira abóbora. Conheço uma mulher que certa vez desabafou: “Meu marido é igual a um Kinder ovo, quando namorávamos ele era educado, carinhoso, atencioso, vestia-se bem e sempre andava cheiroso, depois do casamento ele se revelou outro homem completamente diferente do que eu conhecia, um homem muito pior. Tive uma grande surpresa, igual ao Kinder ovo”. Toda pessoa casada apresenta alguma frustração por não conseguir desfrutar no casamento os prazeres dos tempos de namoro.

Mas não precisa ser assim, aliás, em  muitos casamentos não acontece desta maneira, há cônjuges que continuam e continuarão experimentando as alegrias dos tempos de namoro, as vezes até maiores.  São casais que descobriram a fórmula de se manter acesa a chama da paixão, do namoro, das boas emoções da vida a dois. Aprenderam a, juntos, estenderem diante de si o belo caminho da harmonia conjugal, do prazer do convívio, tornaram-se interdependentes, onde a presença do outro é cada vez mais desejada e a caminhada diária, não obstante os inúmeros desafios, se dá de forma prazerosa. São casais que aprenderam o que significa uma só carne e desenvolveram a sabedoria de nutrir esta “carne” tornando-a cada vez mais única.
Ser “eternos namorados” não é uma utopia, por mais desafiador que seja alcançar esta condição de ter no casamento as alegrias e emoções de um namoro perpétuo, é possível alcançá-la. Basta que os cônjuges tenham interesse real em buscar esta condição e se esforcem para atingi-la.
Algumas dicas são importantes neste processo (cada casal deve adaptá-las de acordo com sua realidade).
Primeira dica: livre-se das falsas expectativas
É muito comum que as pessoas entrem no casamento esperando um monte de coisas que não vão acontecer.  A maior decepção no casamento é por conta das expectativas erradas que se cria em relação a vida a dois. É preciso lembrar que ninguém casa-se consigo mesmo, mas com outra pessoa. Pessoas que não levam isto em conta na hora do casamento entram na vida conjugal como se estivessem casadas com elas mesmas, ou seja, traçam seus planos para a vida de casadas e depois ficam no aguardo de que eles se concretizem exatamente da maneira como esperam, não compartilham com o cônjuge o que esperam dele, criam suas expectativas individualmente e se casam aguardando suas realizações pessoais. Desta maneira as expectativas não se cumprem e o que experimentam é uma grande frustração. Normalmente, nestes casos, o cônjuge é que leva a culpa pela decepção e esta transferência de culpa termina por comprometer o bom relacionamento entre os dois. Coisa que não acontecia nos tempos de namoro.
Para continuar desfrutando, depois de casado, os prazeres dos tempos de namoro, é importante se livrar das falsas expectativas conjugais.

Segunda dica: torne-se “namorável”
Esta dica é muito importante, pois muita gente depois que se casa se esquece de que precisa continuar se cuidando permanecendo assim desejado pelo outro. É fácil entender isto, basta a pessoa casada imaginar como se preparava para encontrar com seu cônjuge quando ainda eram apenas namorados. Por exemplo, o homem ficava atento a pelo menos três coisas: higiene pessoal (banho, roupa limpa, perfume, dentes escovados e chiclete); sempre ter algum dinheiro no bolso para gastar com a namorada e uma generosa dose de paciência para dar atenção a ela (ver vitrines, olhar flores, visitar sobrinhos e tias dela, etc.). Este é um cara bom de namorar, se não preservar estes fundamentos básicos depois de casado não será um cara “namorável”. No lado da esposa, também três coisas devem ser preservadas: Higiene pessoal (banho, perfume, cabelo tratado, unhas e maquiagem em dia e hálito fresco), jeito feminino para pedir alguma coisa (não fazendo exigências com cara de má), admiração pelo trabalho do marido e incentivo para as coisas que ele deseja fazer. Se uma mulher casada não estiver disposta a preservar estas “virtudes”, ela não será “namorável”.  Para se ter uma ideia da importância destes aspectos, pense no cônjuge com a ausência deles e será possível descobrir porque muitos casais casados não têm prazer em namorar.

Terceira dica: Não seja chato o tempo todo
Já percebeu que no período de namoro parece que não existem problemas para serem resolvidos? O tempo que os namorados passam juntos é para falar de coisas legais, contar piadas, fazer planos, mesmo existindo um monte de coisas para se resolver, mas os namorados se poupam mutuamente de ficar o tempo todo tocando nestes assuntos. Depois de casados a coisa se inverte, todo o tempo junto é preenchido com uma chatice qualquer. Uma hora é o problema dos filhos, outra hora são as dívidas, outra são as dores, os parentes, a comida que não estava boa, o cansaço, etc. Pense se você namoraria uma pessoa que fosse chata o tempo todo, aquela do tipo que está sempre fazendo algum tipo de reclamação. Certamente que não, então, para se namorar depois de casado não se deve ser chato o tempo todo.

Quarta dica: façam coisas novas
Os namorados estão sempre planejando alguma coisa nova para fazer, mesmo que seja experimentando uma lanchonete diferente apenas, mas já é uma mudança. Uma das coisas que dessangra o relacionamento conjugal é a instalação da rotina. Tudo é sempre a mesma coisa, não há novidades. O mesmo abraço, o mesmo beijo, o mesmo sexo, as mesmas reclamações, as mesmas roupas, os mesmos lugares, as mesmas tarefas, enfim, a vida se torna previsível demais, extremamente mecânica, e isto impede as emoções. Perpetuar o namoro mesmo depois de casados, exige mudanças, novos ares, aventuras, emoções, etc.

Quinta dica: não tente resolver todos os problemas
Os problemas nunca acabam, resolve-se um e logo surge outro. As pessoas que querem resolver todos os problemas para depois se divertirem com seus cônjuges jamais conseguirão. Uma mulher que cuida da casa precisa “abandoná-la” de vez em quando para se dedicar a seu marido, pois sua casa sempre a manterá ocupada, nunca se resolverá todos os problemas domésticos; uma mãe que não consegue desgrudar dos filhos, nunca vai se divertir com seu marido. É preciso criar a cultura nos filhos de que papai e mamãe precisam sair sozinhos e deve-se fazer isto sem culpa. As crianças vão chorar, reclamar, sentir dor de barriga, etc. mas devem aprender que os pais precisam se divertir sem elas.  Um homem que vive se queixando que não tem dinheiro nunca sairá para passear com sua esposa. Alguns maridos estão sempre cansados, querem se divertir apenas deitados no sofá com o controle remoto na mão. Pessoas que desenvolvem estes comportamentos tornam-se refém deles e sentem seus casamentos se afundarem num mar de problemas.

É possível resgatar as emoções e o prazer dos tempos de namoro, não que seja possível reviver os mesmos sentimentos, o que acontece nos tempos de namoro não tem como repetir da mesma maneira depois de casados, mas outros bons sentimentos que também dão prazer são possíveis de serem vivenciados. Os cônjuges devem se esforçar para conduzirem suas vidas de casados como “eternos namorados”.

Toda pessoa casada pode resgatar o relacionamento prazeroso dos tempos de namoro.